quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Rapidinhas da quinta...

Balaio de gatos...

A novela das eleições do pleito de 2012 em Mossoró e Baraúna ainda vai render muitos capítulos. A prefeita de Mossoró continua afastada e , na melhor das hipóteses, não volta antes de Fevereiro/2014. Mas basta ela perder somente um só processo no julgamento do mérito de uma das 13 ações de cassações no TSE para que as novas eleições em Mossoró venham a se concretizar. Portanto, as atitudes jurídicas tomadas até então tem um caráter apenas protelatório de manter politicamente o nome de Cláudia Regina ainda respirando no balão de oxigênio político mossoroense. Quanto a Baraúna tendência é seguir o mesmo roteiro, com idas e vindas, saídas e voltas, até o julgamento do mérito de 01 processo pelo TSE para dar o jogo por encerrado para uma das partes. Cada lado canta vitória e diz que sairá imune pois tem não sei quem do seu lado e fulano e beltrano, mas na verdade, é pura balela e jogo de cena. No frigir do ovos todos eles só tem uma certeza: a de que não existe certeza nenhuma sobre o resultado final desse enrosco. Hoje poderá ter novidades no TRE-RN, amanhã também no TSE, e depois de amanhã também...

Governo Rosalba atesta seu desatino em manchete

Manchete ufanista solta por aí na imprensa potiguar:
- Arena das Dunas é a marca do Governo Rosalba Ciarlini.
Quanto desperdício de neurônios e dinheiro em termos de marketing político-eleitoral.
Trata-se de um insulto à inteligência de um povo. Ao mesmo tempo, atesta a inversão de prioridades de um governo sem rumo, prumo e dissociado da realidade.
Símbolo de êxito administrativo é a construção de um equipamento esportivo que é verdadeiro monumento ao desperdício?
Enquanto isso, milhões de pessoas são vítimas da insegurança e milhares e milhares morrem ou ficam mutiladas em hospitais.
Francamente!
Respeitem-nos! (Blog Carlos Santos -09/01/2014).


É o fim do mundo um negócio desses...

1. O FIM DO MUNDO EM 2008

De acordo com o pastor da Igreja de Deus Ronald Weinland, autor do livro “2008: God’s Final Witness” (“2008: a última testemunha de Deus”, em tradução livre), centenas de milhares de pessoas morreriam a partir de 2006, quando o livro foi lançado. Ao fim daquele ano, o pastor afirmava que haveria no máximo dois anos antes do momento em que o mundo entrasse no pior período de toda a existência humana. Até o segundo semestre daquele ano, os Estados Unidos teriam sofrido um colapso, e não existiriam mais como um país independente. De acordo com o que está escrito no livro, Weinland “coloca a sua reputação em jogo no sue papel de profeta de Deus”. Adeus, reputação!


2. 5 DE MAIO DE 2000

Para o caso do Y2K não acabar com a humanidade, uma outra catástrofe global foi prevista por Richard Noone, autor do livro “5/5/2000 Ice: The Ultimate Disaster” (“Gelo: o desastre final”, em tradução livre, sem edição brasileira). Segundo o autor. O gelo da Antártica teria quase 5 quilômetros de espessura no dia 5 de maio de 2000, quando os planetas se alinhariam no céu, resultando em uma morte gelada para toda a humanidade. O final dessa história foram milhares de exemplares do livro vendidos, mas sem mortes em massa devido ao gelo derretido. quem sabe o aquecimento global impediu o desastre!

3. Y2K, JANEIRO DE 2000

A virada do milênio deu origem a mais uma previsão para o fim do mundo: o problema, notado na década de 70, seria que muitos computadores não conseguiriam ver a diferença entre o ano 2000 e o ano de 1900. Ninguém tinha certeza do que isso significaria, mas muitos sugeriam que problemas catastróficos poderiam ocorrer, desde blecautes enormes a um holocausto nuclear. A venda de armas cresceu muito e várias pessoas prepararam bunkers para viver após a catástrofe. Mesmo com todos os problemas previstos, o ano novo começou normalmente, com alguns pequenos problemas em computadores isolados.

4. AS PREVISÕES DE NOSTRADAMUS PARA 1999

A escrita metafórica e obscura de Michel Notredame, conhecido como Nostradamus, intrigaram estudiosos por mais de 400 anos. Seus escritos, que dependem muito da interpretação, foram traduzidos e reescritos em inúmeras versões. Uma das suas frases mais famosas afirma “No ano 1999, sétimo mês / Do céu virá o grande rei do terror”. Muitos devotos das previsões de Nostradamus ficaram preocupados, já que ele tinha grande fama, e acreditavam que esta era a sua previsão do fim do mundo.

5. A SEITA HEAVEN’S GATE

Quando o cometa Hale-Bopp apareceu em 1997, surgiram também rumores que uma nave alienígena está seguindo o cometa. Além disso, as pessoas afirmavam que a nave estava sendo escondida pela Nasa e pela comunidade de astrônomos. o que podia ser facilmente refutado por qualquer pessoa com um telescópio. Apesar da negação da existência de tal nave, os rumores foram divulgados amplamente, e inspiraram a criação de uma seita chamada “Heaven’s Gate” (“Portais do Céu”, em tradução livre), que acreditava que o mundo acabaria logo. Infelizmente, no dia 26 de março de 1997, o mundo acabou para 39 membros do culto, que foram levados a um rancho no meio do deserto e cometeram suicídio por acreditar que suas almas seriam levadas pelos alienígenas.

6. O FIM DO MUNDO EM 1982

Em maio de 1980, o fundador da Coalizão Cristã e celebridade televisiva Pat Robertson assustou muitas pessoas quando contrariou ao vivo a passagem Mateus 24:36. que afirma que ninguém sabe o dia ou hora em que o fim chegará. Ele afirmou à platéia do seu programa que ele sabia quando seria o fim do mundo: “Eu garanto a vocês que, até o fim de 1982, haverá um julgamento no mundo”, ele disse.

7. O COMETA HALLEY, 1910

Em 1881, um astrônomo descobriu que a cauda de cometas têm um gás mortal, chamado de cianogênio. tão tóxico quanto o cianeto, que é semelhante a ele. A descoberta não recebeu muita atenção, até que alguém notou que a Terra passaria próxima à cauda do cometa Halley em 1910. O respeitado jornal estadunidense “The New York Times” e vários outros questionavam se todas as pessoas do planeta morreriam envenenadas pelo gás tóxico, o que levou a uma onda de pânico nos Estados Unidos. Finalmente, cientistas com a cabeça no lugar explicaram que não havia motivos para temer a passagem do cometa, que ocorreu sem maiores problemas.
8. O RETORNO DE JESUS EM 1891

Joseph Smith, fundador da religião mórmon, nos Estados Unidos, afirmou a líderes da igreja em 1835 que Deus havia dito a ele que Jesus retornaria em 56 anos, o que não ocorreu, e o mundo continua em seu curso natural.

9. A PREVISÃO ADVENTISTA, 23 DE ABRIL DE 1843

O fazendeiro estadunidense William Miller, depois de estudar a Bíblia durante vários anos, concluiu que a data escolhida por Deus para acabar com o mundo poderia ser encontrada em uma interpretação literal dos escritos. Ele explicava para seus seguidores (chamados de Adventistas ou Milleristas) que o mundo acabaria entre 21 de março de 1843 e 21 de março de 1844. Ele pregava e publicava o bastante para conseguiu milhares de seguidores, que chegaram à conclusão que a data definitiva seria 23 de abril de 1834. Muitos seguidores de Miller venderam ou doaram todas suas posses. Quando a data do fim do mundo chegou. e Jesus não retornou. o grupo se desintegrou, mas alguns remanescentes formaram a religião Adventista.

10. A GALINHA PROFETA DE LEEDS, 1806

Existem inúmeros exemplos de pessoas que proclamam o retorno de Jesus Cristo, mas provavelmente nunca existiu um mensageiro mais estranho do que a galinha da cidade inglesa de Leeds, em 1806. As pessoas da cidade contavam que uma galinha começou a botar seus ovos no formato da frase “Christ is coming” (“Cristo está chegando”). Notícias do incrível milagre se espalharam rapidamente, e muitas pessoas se convenceram que o dia do juízo final estava próximo. A história começou a tomar proporções enormes, até que um curioso cidadão da cidade observou a galinha botando os ovos – e descobriu que a cidade inteira tinha caído em uma brincadeira de mau gosto.

CAMPO MINADO

Jessé

Já andei por tantas terras

Já venci mil guerras

Já levei porradas dominei meu medo

Já cavei trincheiras no meu coração

Descobri nos pesadelos sonhos mutilados

E acordei no meio de anjos cansados

De serem usados pela solidão


Ah! Meu coração é um campo minado

Muito cuidado ele pode explodir

E se depois de tão dilacerado

For desarmado por quem há de vir

Alguém que queira compensar a dor

Plantar o sonho e ver nascer a flor

Alguém que queira então me residir

E explodir meu coração de amor


                                                            Campo  Minado - Jessé

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Rapidinhas da quarta...

Poder congelado...

Todo mundo sabe em Baraúna que secretário na verdade é "pau mandado" e sua autonomia é igual ao frio que assola os Estados Unidos, ou seja, a abaixo de zero. Alguns deles até conseguem se destacar nessa geada pela competência natural e biográfica como é o caso do professor Luiz Soares (agricultura), mas a maioria segue patinando na pista de gelo insólita do ostracismo financeiro. O ex-secretário da educação Marcos Antônio mostrou sua competência e um bom trabalho, em termos pedagógicos e políticos, mesmo esbarrando nos entraves administrativos que desembocam no centralismo exacerbado das decisões finais que ficam sempre postergadas nas mãos do gestor municipal que, numa visão provinciana e arcaica, não 

quer que seu subordinado crie asas demais. Foi colocado na "geladeira" por várias ocasiões e sempre querendo sair para se abrigar em temperaturas tropicais. O atual secretário nomeado professor Dinho sempre teve o sonho de ser secretário da educação baraunense e tem agora sua oportunidade de dizer a que veio (se tiver tempo para isso). Desejamos boa sorte ao novo secretário. Quanto ao secretário de turismo baraunense, o nosso amigo Arimatéia do Juremal, sempre foi um batalhador em prol de benefícios para sua comunidade e em busca de se eleger para vereador e representar seus conterrâneos. Sempre "bateu na trave", mas nunca obteve êxito, mas para ele o importante não é o caminho, mas o caminhar. Todos nós sabemos que turismo em Baraúna é utopia, embora tenhamos recursos naturais e culturais para mostrar aos visitantes, mas nunca existiu um plano de implementação efetiva e nem tampouco recursos financeiros para estimular a pasta. A adoção de eventos seria um caminho alternativo, tal qual fez Mossoró, mas mesmo as festas tradicionais, tais como vaquejadas, padroeira, carnaval fora de época, são inconstantes, irregulares e dependem dos interesses políticos circunstanciais dos governantes de plantão (que em ano de eleição fazem festas monumentais para poder aparecer e nos outros anos simplesmente desaparecem do mapa), que não mantem um padrão de continuidade, fazendo cair no descrédito esse potencial de atração turística. Basta mencionar a última festa da padroeira que foi simplesmente um horror e um fracasso completo. Portanto, enquanto não se implementa algo de sério nesse deserto gelado por aqui, nosso amigo Arimatéia, durante suas férias merecidas, pesca nos rios em Goiás e causa inveja a todos nós.

Boa oportunidade...

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), por meio do Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (Cespe/UnB), lançou nesta terça-feira (7/1) edital de abertura de seu novo concurso público. São 450 vagas de nível médio e superior, com salários que podem chegar a R$ 3,9 mil. Do total de chances, 87 são para Brasília. Em nível superior, são 35 oportunidades para contador. A remuneração é de R$ 3.981,42. Para se candidatar é preciso graduação em ciências 
contábeis. Já para nível médio são 415 vagas para o posto de agente administrativo, cujo salário é de R$ 2.573,22. A jornada de trabalho é de 40 horas semanais para todos os cargos. Interessados poderão se inscrever de 13 de janeiro a 3 de fevereiro, pelo site www.cespe.unb.br/concursos/mte_14_nm_ns. As taxas custam R$ 50 para nível médio e R$ 70 para superior. Do total de oportunidades, cinco por cento são reservadas a pessoas com deficiência. Na seleção haverá provas objetiva e discursiva, aplicadas em todas as capitais brasileiras, na data provável de 30 de março. Serão cobrados dos candidatos conhecimentos básicos (língua portuguesa, noções de informática, noções de direito administrativo, atualidades, ética no serviço público, noções de administração financeira e orçamentária e noções de gestão de pessoas nas organizações) e específicos. Além da capital, os aprovados serão lotados no Acre, Alagoas, Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe, São Paulo e Tocantins.

Cientistas desenvolvem nanopartículas que matam células do câncer ao ter contato com elas na corrente sanguínea

Estudos preliminares sugerem que "bolinhas grudentas" desenvolvidas por cientistas podem destruir células cancerígenas no sangue, impedindo que a doença se espalhe. O estágio mais perigoso - e frequentemene fatal - de um tumor é a metástase, quando ele se espalha pelo corpo. Cientistas na Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, desenvolveram nanopartículas que permanecem na corrente sanguínea e matam células do câncer ao ter contato com elas. Os resultados da pesquisa foram divulgados na publicação Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). Os cientistas afirmam que o impacto do tratamento é "dramático", mas que "há muito trabalho a ser feito". Um dos principais fatores da expectativa de vida após o diagnóstico de câncer é se o tumor se espalhou ou não. "Cerca de 90% das mortes por câncer estão relacionadas às metástases", disse o professor Michael King, responsável pelo estudo.
Agentes

A equipe de Cornell criou nanopartículas que transportam a proteína Trail (que também significa "trilha"), que tem a capacidade de matar o câncer e já era utilizada em tratamentos experimentais, além de outras proteínas "grudentas". Quando essas pequenas esferas eram injetadas no sangue, se agarravam aos leucócitos, ou células brancas. Testes mostraram que, na corrente sanguínea, os leucócitos "esbarravam" com as células cancerígenas que se desprendiam do tumor principal e viajavam pelo organismo. Mas as células de câncer morriam em contato com a proteína Trail grudada nas células brancas. "Os dados mostram um efeito dramático: não é só uma pequena mudança no número de células de câncer", disse King à BBC. "Os resultados na verdade são extraordinários, em sangue humano e em camundongos. Após duas horas de fluxo sanguíneo, elas (as 

células do tumor) desintegraram-se literalmente." King acredita que as nanopartículas poderão ser usadas antes da cirurgia ou da radioterapia, que podem resultar em células se desprendendo do tumor principal. O tratamento também poderia ser usado em pacientes com tumores muito agressivos, para evitar que eles se espalhem. No entanto, ainda é necessário realizar diversos testes de segurança em camundongos e animais maiores para que aconteça um teste clínico em humanos. "Há muito trabalho a fazer. Ainda é preciso fazer muitas descobertas antes de que isso possa beneficiar os pacientes", afirmou King. Até agora, os dados indicam que o sistema não tem um "efeito dominó" no sistema imunológico e não danifica outras células sanguíneas ou o revestimento dos vasos sanguíneos.
Câncer de Pâncreas

Já pesquisadores da Universidade de Cambridge, na Grã-Bretanha, dizem ter descoberto um tratamento que poderia eliminar o câncer de pâncreas em cerca de uma semana. Após identificarem como funciona a barreira protetora que circunda os tumores, os cientistas desenvolveram uma droga que consegue rompê-la, permitindo que o sistema imunológico do corpo mate as células cancerígenas.
Testes iniciais do tratamento - que consiste em doses do medicamento combinadas com uma substância que potencializa a ação das células de defesa do organismo - resultaram na eliminação quase total do câncer em camundongos em seis dias.As conclusões foram divulgadas na publicação científica americana PNAS. De acordo com a Universidade de Cambridge, é a primeira vez que um resultado como esse é alcançado em pesquisas sobre o câncer de pâncreas. Caso seja bem-sucedido, o tratamento também poderia ser usado em outros tipos de tumores sólidos - como em casos de câncer de pulmão e câncer de ovário.
O câncer de pâncreas, um dos mais letais, é a oitava causa mais comum de mortes por câncer no mundo. Ela afeta homens e mulheres igualmente e é mais frequente em pessoas com idade acima dos 60 anos. De acordo com o levantamento mais recente do Ministério da Saúde, a doença deixou mais de 7,7 mil mortos no Brasil em 2011. A nova pesquisa, liderada 
pelo professor Douglas Fearon, observou que a barreira em volta das células do câncer é formada pela proteína quimiocina CXCL12, que é produzida por células especializadas do tecido conjuntivo - responsável por unir e proteger os outros tecidos. A proteína envolve as células do câncer e forma uma espécie de escudo contra as células T - que fazem parte do sistema de defesa do organismo. O novo tratamento impede que as células T interajam com a proteína CXCL12. Dessa forma, o "escudo" deixa de funcionar e as células conseguem penetrar no tumor. "Ao permitir que o corpo use suas próprias defesas para atacar o câncer, essa solução tem o potencial de melhorar muito o tratamento de tumores sólidos", disse Fearon. De acordo com a Universidade de Cambridge, ainda não há data para testes clínicos em seres humanos. Por apresentar poucos sintomas em seus estágios iniciais, o câncer pancreático costuma ser diagnosticado somente em estágio mais avançado. O fundador da Apple, Steve Jobs, e o ator americano Patrick Swayze estão entre as vítimas famosas da doença.

Soneto de Fidelidade

Vinícius de Moraes

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure



                                                            Tudo outra vez - Belchior

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Rapidinhas da terça...

Em entrevista inédita no Brasil, presidente uruguaio debate causas do fracasso do “socialismo real” e afirma: para superar sistema, é preciso começar pelo choque de valores


Cada vez mais popular tanto nas redes sociais como na mídia tradicional, o presidente do Uruguai, Pepe Mujica, arrisca-se a sofrer um processo de diluição de imagem semelhante ao que atingiu Nelson Mandela. Aos poucos, cultua-se o mito, esvaziado de sentidos — e se esquecem suas ideias e batalhas. Por isso, vale ler o diálogo que Pepe manteve, no final do ano passado, com o jornalista catalão Antoni Traveria. Publicada no site argentino El Puercoespín, a entrevista revela um presidente que vai muito além do simpático bonachão que despreza cerimônias e luxos.

Mujica, que viveu a luta armada e compartilhou os projetos da esquerda leninista, parece um crítico arguto das experiências socialistas do século XX. Coloca em xeque, em especial, uma crença trágica que marcou a União Soviética e os países que nela se inspiraram: a ideia de que o essencial, para construir uma nova sociedade, era alterar as bases materiais da produção de riquezas. ”Não se constrói socialismo com pedreiros, capatazes e mestres de obra capitalistas”, ironiza o presidente. Não se trata de uma constatação lastimosa sobre o passado ou de um desalento. Mujica mantém-se convicto de que o sistema em que estamos mergulhados precisa e pode ser superado. Mas será um processo lento, como toda a mudança de mentalidades, e precisa priorizar o choque de valores: tornar cada vez mais clara a mediocridade da vida burguesa e apontar modos alternativos de convívio e produção. Leia a seguir, alguns dos trechos centrais da entrevista:

“A batalha agora é muito mais longa. As mudanças materiais, as relações de propriedade, nem sequer são o mais importante. O fundamental são as mudanças culturais e estas transformações exigem muitíssimo tempo. Mesmo nós, que não podemos aceitar filosoficamente o capitalismo, estamos cercados de capitalismo em todos os usos e costumes de nossas vidas, de nossas sociedades. Ninguém escapa à densa malha do mercado, a sua tirania. Estamos em luta pela igualdade e para amortecer por todos os meios as vergonhas sociais. Temos que aplicar políticas fiscais que ajudem a repartir — ainda que seja uma parte do excedente — em favor dos desfavorecidos. Os setores proprietários dizem que não se deve dar o peixe, mas ensinar as pessoas a pescar; mas quando destroçamos seu barco, roubamos sua vara e tiramos seus anzóis, é preciso começar dando-lhes o peixe”.
“A vida é muito bela e é preciso procurar fazer as coisas enquanto a sociedade real funciona, ainda que seja capitalista. Tenho que cobrar impostos para mitigar as enormes dificuldades sociais; ao mesmo tempo, não posso cair no conformismo crônico de pensar que reformando o capitalismo vou a algum lado. Não podemos substituir as forças produtivas da noite para o dia, nem em dez anos. São processos que precisam de coparticipação e inteligência. Ao mesmo tempo em que lutamos para transformar o futuro, é preciso fazer funcionar o velho, porque as pessoas têm de viver. É uma equação difícil. O desafio é bravo. Há quem siga com o mesmo que dizíamos nos anos 1950. Não se deram conta do que ocorreu no mundo e por quê ocorreu. Sinto como minhas as derrotas do movimento socialista. Me ensinam o que não devo fazer. Mas isso não significa que vá engolir a pastilha do capitalismo, nesta altura de minha vida”.
“Não sei se vão me dar bola, mas digo aos jovens de hoje que aprendemos mais com o fracasso e a dor que com a bonança. Na vida pessoal e na coletiva pode-se cair uma, duas, muitas vezes, mas a questão é voltar a começar. E é preciso criar mundos de felicidade com poucas coisas, com sobriedade. Refiro-me a viver com bagagem leve, a não viver escravizado pela renovação consumista permanente que é uma febre e obriga a trabalhar, trabalhar e trabalhar para pagar contas que nunca terminam. Não se trata de uma apologia da pobreza, mas de um elogio à sobriedade — não quero usar a palavra austeridade, porque na Europa está sendo muito prostituída, quando se deixa as pessoas sem trabalho em nome do ‘austero’”. “Em toda a história do Uruguai, o presidente repartia as licenças de rádio e TV com o dedo. Tivemos a ideia de abrir consultas e processos democráticos baseados em méritos. Pensamos e realizamos! O que certa imprensa diga não me preocupa. Já os conheço. O problema que o diário [uruguaio] El País pode me criticar e se, algum dia, estiver de acordo e me elogiar. Seria sinal de que ando mal”.


   A praça - Interpretada por Ronnie Von em 1967 - TV Record (Cancão de Carlos Imperial)


segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Rapidinhas da segunda...

A tirania da opinião...

A brutalidade do stalinismo, a estupidez do império soviético e sua derrocada, mesmo garantindo aos adeptos, onde eu me incluía, que era um processo irreversível, não me dá o direito de reconhecer legitimidade ou dignidade humana ao império americano. Os desvios ditatoriais da Revolução Cubana, que escorraçou um balneário de prostituição e drogas, ilha prostituta do gigolô Fulgêncio Batista, não me dá o direito de defender o embargo punitivo ao povo cubano pelo império capitalista. As ditaduras islâmicas, que torturam e matam em nome de Deus, não me dá o direito de reconhecer legitimidade ao império americano para interferir e decidir, em nome dos povos, o destino das nações. O resultado do renascimento da Democracia brasileira, produzindo aberrações que vão 
de Sarney, Collor, Renan, tucanagem e licenciosidade petista, não me dá o direito de esquecer ou justificar a violência, covardia e brutalidade da Ditadura Militar, que transformou a Pátria num vasto esgoto de sêmen e sangue. A admiração que tenho pela obra literária de Jorge Luis Borges não me dá o direito de aplaudir sua convicta defesa da Ditadura argentina. Assim como não posso nem devo desmerecer sua obra apenas por opor-me à sua opinião. Saddam Hussein não inocenta George W. Bush. Stalin não salva Médici. Cuba não justifica Guantánamo. O mal de uns não abona a maldade dos outros. A degeneração da Esquerda não obriga ao reconhecimento da Direita. Até porque o grande erro de uma foi querer imitar a outra. Imitação tentada, resultado impossível. A Direita é a mesma, 
ruim e inteligente. A Esquerda mudou pra pior; deslumbrou-se com o lustre da Direita. Oprimida, contratou pra fazer com algodão mocó o mesmo alfaiate que talhou de seda o paletó do opressor. O julgamento de corruptos de esquerda não é o julgamento da Esquerda. Assim como o bom caráter de pessoas de direita não é o caráter da Direita. A nossa Corte Suprema já agasalhou ilustres onde essa palavra carrega o seu brilho natural. Porém, nem sempre é a regra. Um Ministro, Luiz Fux, que diz ter feito “campanha” pra chegar lá, inclusive pedindo apoio de um processado, usando expressões do futebol, “bati na trave três vezes”, “esse processo eu mato no peito”, não dignifica a história do Supremo. Nem a traição aos “cabos eleitorais” salva sua biografia. O ato de condenar desvios de conduta não pode alçar ninguém à condição de herói. Formação acadêmica não é biografia. É currículo. E condenar culpados não é heroísmo. É dever. Mudo de opinião ao mudarem de azimute as circunstâncias. Mudar de ideia, pelo convencimento, evita que a minha opinião seja o meu tirano. Como ensinou Stendhal. Mas não permito à velhice o assassinato da revolta que justificou as ilusões da mocidade. (Blog do Carlos Santos)
Té mais.
François Silvestre é escritor

A morte do Pantera negra...

O ex-atacante Eusébio, maior jogador da história do Benfica e de Portugal, morreu na madrugada deste domingo, em Lisboa, aos 71 anos de idade. Conhecido como Pantera Negra, o ex-jogador, que sofrera um AVC em 2012, teve uma parada cardiorrespiratória e não resistiu. Nos últimos anos, Eusébio da Silva Ferreira esteve várias vezes internado.
Nascido a 25 de Janeiro de 1942 na então Lourenço Marques, hoje Maputo, Eusébio tornou-se o maior símbolo do futebol português. Revelado no Sporting de Lourenço Marques no fim dos anos 1950, o moçambicano chegou a Lisboa no fim de 1960 contratado pelo Benfica, onde se tornou o maior artilheiro da história do clube (638 gols) e sua principal referência durante as 15 temporadas em que defendeu a equipe lisboeta. Brilhou também a serviço da seleção de Portugal, no Mundial de 1966, onde foi o goleador.
Pelo Benfica, Eusébio conquistou nada menos do que 11 Campeonatos Nacionais (1960/61, 1962/63, 1963/64, 1964/65, 1966/67, 1967/68, 1968/69, 1970/1971, 1971/72, 1972/73 e 1974/75), cinco Taças de Portugal (1961/62, 1963/64, 1968/69, 1969/70 e 1971/72) e uma Taça dos Campeões Europeus, hoje Liga dos Campeões da Uefa (1961/62), além de ter sido três vezes vice-campeão europeu (1962/1963, 1964/65 e 1967/68). Sete vezes maior goleador do campeonato português (1963/64, 64/65, 65/66, 66/67, 67/68, 69/70 e 72/73), duas vezes melhor marcador europeu (1967/68 e 72/73), Eusébio foi eleito em 1965 o melhor futebolista europeu da temporada, e é considerado um dos maiores jogadores mundiais de todos dos tempos. Maior craque nascido no continente africano, o Pantera Negra marcou 514 gols em 504 jogos oficiais, uma média impressionante de praticamente um gol por partida. Eusébio chegou ao ápice da carreira na disputa da Copa de 1966, na 
Inglaterra. Ao vencer por 3 a 1 na fase de grupos, Portugal eliminou o Brasil, então bicampeão mundial. Depois, tirou a Coreia do Norte nas quartas de final (5 a 3) e chegou às semifinais, onde acabou derrotado pelos anfitriões (1 a 2). Ao bater a antiga União Soviética por 2 a 1, o selecionado luso terminou a competição em terceiro lugar, melhor resultado de Portugal em Copas do Mundo até hoje. Goleador com nove gols (três a mais que o vice, o alemão Helmut Heller), o Pantera Negra, então com 24 anos, foi exaltado como o grande nome do torneio, vencido pela Inglaterra. Sua atuação mais importante no Mundial 
da Inglaterra de 1966 foi no jogo contra a Coreia do Norte, em que marcou quatro gols, contribuindo decisivamente para a vitória de Portugal por 5 a 3, de virada, após levar 3 a 0 dos sul-coreanos. "Foi o meu dia", recordou mais tarde, quando, no Mundial de 2010, na África do Sul, a equipe portuguesa voltou a enfrentar a asiática. Pela seleção de Portugal, o ex-atacante disputou 64 partidas e anotou 41 gols, obtendo a média de 0,64. Seu primeiro duelo defendendo a esquadra foi em 8 de outubro de 1961, menos de um ano após estrear pelo Benfica, e seu último compromisso, em 1973, pelas Eliminatórias para a Copa do ano seguinte, na Alemanha. Jogou no Benfica até 1975, tendo depois atuado ainda em clubes da América do Norte, no Beira Mar e no União de Tomar – esta última uma breve experiência que durou até março de 1978, após o que regressou aos Estados Unidos para tentar uma efémera experiência no futebol 'indoor'.

Morre Nelson Ned...

O cantor Nelson Ned, de 66 anos, morreu na manhã deste domingo (5) no Hospital Regional de Cotia, em São Paulo. Ele estava internado desde sábado com pneumonia. Segundo funcionários da Funerária Muncipal de Cotia, o cantor morreu às 7h25 em decorrência de "choque septico, sepse, broncopneumonia e acidente vascular cerebral". O corpo irá sair da funerária em Cotia e deve chegar no Cemitério Horto da Paz, em Itapecerica da Serra, por volta das 16h deste domingo. A princípio, o velório será só para a família. Depois, será aberto aos fãs. Segundo a irmã Neuma Nogueira, que cuidava do cantor em São Paulo, Nelson teve infecção pulmonar e urinária e não respondeu ao tratamento. “Ele teve febre muito alta e estava muito debilitado. Nos últimos 2 dias, ele já estava inconsciente e respondia muito pouco”, disse. Natural de Ubá, Minas Gerais, Nelson Ned fez fama como cantor de músicas românticas nos anos
 60, quando já vivia no Rio de Janeiro. "Tudo passará", de 1969, foi um de seus grandes sucessos. Em 2003, o cantor sofreu um acidente vascular cerebral. Desde então, vivia no Recanto São Camilo, na Granja Viana, em Cotia, sob a guarda e cuidados de Neuma. O AVC afetou sua parte vocal, assim como memória. Ned foi casado duas vezes e teve três filhos com Marly, sua segunda esposa: duas filhas, de 32 e 33 anos, e um filho, que mora no México. As filhas acompanharam o velório em São Paulo.

Carreira

Primogênito dos 7 filhos de Nelson de Moura Pinto e Ned d´Ávila Pinto, ele saiu de Ubá (MG) para tentar a vida no Rio de Janeiro aos 17 anos. Começou bem distante dos palcos, trabalhando em uma linha de montagem de uma fábrica de chocolates. Cantou em boates paulistas e cariocas antes da maioridade e era escondido embaixo do balcão das casas quando o Juizado de Menores passava para fiscalizar.
Tempos depois, passou a ser figura recorrente no programa do Chacrinha, que ele considera o “pai de sua carreira artística”. Foi na televisão que conquistou espaço e sucesso com o hit "Tudo passará", uma de suas primeiras músicas.“Ele foi um divisor de águas na minha vida. Me deu oportunidade e comida. Devo muito ao falecido amigo. Foi muito difícil ser cantor de brega e anão neste país”, relembrou Ned em entrevista ao G1, em 2012. Com 32 discos gravados em português e espanhol, Ned cantou no Carnegie Hall e no Madison Square Garden, ambos em Nova York. Ele se converteu nos anos 90 à religião evangélica e, desde então, cantava músicas gospel. Em 1996, lançou a biografia "O pequeno gigante da canção", que fazia referência à sua altura, de 1,12m. O hit "Tudo passará” era sua faixa predileta, conforme contou ao G1. “É a que mais gosto. Quando cantei em um programa fui aplaudido de pé no meio da música. Isso é ser brega? Quem não é brega quando fala de amor? É o amor que é brega, não a minha música.”

                                                           Tudo passará - Nelson Ned


domingo, 5 de janeiro de 2014

Rapidinhas domingueiras...

A mentira tem pernas curtas...

Um homem tinha se casado com uma mulher excelente, boa dona de casa, trabalhadeira e honrada, mas muito gulosa. Para disfarçar seu apetite, a mulher fingia-se sem vontade de alimentar-se sempre que fazia as refeições diante do marido. Porém, apesar desse regime, engordava cada vez mais.
Admirado de alguém poder viver com tão pouca comida, o marido resolveu certificar-se do que se passava. Será que a mulher não se alimentava em sua ausência? Disse que ia para o trabalho e escondeu-se num lugar onde poderia acompanhar os passos da esposa.
No almoço, viu-a fazer tapiocas de goma, bem grossas, molhadas no leite de coco, e comê-las todas, deliciada. Na merenda, mastigou um sem-número de alfenins, branquinhos e gostosos. Na hora do jantar matou um capão, ensopou-o em molho espesso, 
saboreando-o. À ceia, devorou um prato de macaxeiras, enxutinhas, acompanhando-as com manteiga.
Ao anoitecer, o marido apareceu, fingindo-se cansado. Chovera o dia inteiro. A mulher perguntou:
– Homem, como é que trabalhando na chuva você não se molhou?
O marido respondeu:
– Se a chuva fosse grossa como as tapiocas que você almoçou, eu teria vindo ensopado como o capão que você jantou. Mas a chuva era fina como os alfenins que você merendou e eu fiquei enxuto como as macaxeiras que você ceou. A mulher compreendeu que havia sido descoberta e nunca mais escondeu seu apetite do marido.

O autoritarismo do judiciário...

Que a corda sempre arrebenta do lado mais fraco, todo mundo sabe. O senador que desviou altas quantias de dinheiro do Congresso pode não ser detido, mas se um pobre roubar um pote de margarina, possivelmente irá para a prisão. Por que isso acontece? a Justiça penal é democrática no discurso e autoritária na prática, favorecendo os interesses de classe e perpetuando, muitas vezes, a impunidade. O campo jurídico, hoje, se caracteriza pelo discurso garantista, pautando-se nas garantias constitucionais, em teoria, e optando pela aplicação de penas mais severas, criminalização de condutas e redução de benefícios na execução da pena.  Torna-se necessário que os operadores do direito se posicionem politicamente, deixando de lado os interesses de classe, e sem trabalhar a serviço do mercado. O enraizamento do autoritarismo na cultura jurídica nacional, 
historicamente e também perpetuado através das instituições de ensino, dificulta o processo de mudança, assim como a sensação de insegurança social, mantida pelos profissionais. Entretanto,  existem movimentos, tímidos ainda, que buscam a quebra do paradigma, como o direito alternativo e a Justiça restaurativa, presente em algumas comarcas do país.A criação dos Juizados Especiais, foi uma iniciativa a favor da democratização, mas que também acabou cedendo às pressões do campo e se tornou tão burocrática quanto a Justiça comum.Como instrumento da mudança, o papel da universidade nesse processo é primordial e, nesse 
sentido, os cursos de direito do país inteiro têm que se preocupar em trazer para dentro da sala de aula essa discussão, para mudar a mentalidade daqueles que vão se formar e formar o campo em um futuro breve. O papel distante do judiciário da sociedade tem sua gênese no autoritarismo brasileiro, cujas bases se erguem a partir da própria formação inicial do Brasil como colônia portuguesa, e que evolui e se transforma ao longo de nossa história, não constitui em um traço congênito e insuperável de nossa nacionalidade, mas é certamente um condicionante poderoso em relação a nosso presente e futuro como país. A complexidade das questões envolvidas nesta discussão deve ser suficiente para deixar claro que, na realidade, o termo autoritarismo é pouco mais do que uma expressão de conveniência que utilizamos para nos referir a uma história cheia de contradições e contra-exemplos, onde, no entanto, um certo padrão parece predominar: o de um Estado hipertrofiado, burocratizado e ineficiente, ligado simbioticamente a uma sociedade debilitada, dependente e alienada. É da superação deste padrão histórico e de suas conseqüências que depende nosso futuro. E como o passado é contraditório e o futuro aberto e pronto para ser construído, é possível ser otimista.

O padre, o estudante e o caboclo...

Há muitos anos, o acaso uniu, na rabeira de uma tropa de mulas que percorria o interior de Minas Gerais, um padre, um estudante e, a transportar as malas e os livros dos dois, um caboclo observador. No lento trotar das mulas, sob o sol do sertão, padre e estudante debatiam sem chegar a qualquer conclusão.
No fim da tarde, estacionaram ao lado de um casebre e pediram licença à mulher que os atendeu para pernoitar ali, oferecendo poucas moedas em troca de água, lugar para pendurar as redes e algum alimento. A pobre mulher concordou, enfiou as moedas rapidamente no bolso da saia e, um minuto depois, trazia aos hóspedes uma jarra de água e o único alimento existente no casebre: um miserável pedaço de queijo, que não dava para alimentar um quarto de homem.
Sem saber como dividir o queijo entre os três, o padre, certo de que, com sua oratória, poderia enganar os outros dois, propôs o seguinte: que dormissem e, ao amanhecer, aquele que contasse o sonho mais bonito, certamente inspirado por Deus, ganharia o direito de comer o queijo. Todos concordaram e, cobertos pela poeira da estrada, foram dormir.
No meio da noite, contudo, ouvindo o padre e o estudante roncarem, o caboclo levantou da rede, aproximou-se do armarinho em que a mulher guardara o queijo e o engoliu.
Quando amanheceu, enquanto tomavam o café ralo que a mulher lhes ofereceu, o padre, que sonhara a noite toda com o queijo, foi o primeiro a relatar seu sonho. Disse que, auxiliado por anjos, subira por uma escada cheia de enfeites dourados até o céu. O estudante, por sua vez, contou que, mal havia dormido, já se encontrou em pleno Paraíso, aguardando pelo padre que, tinha certeza, chegaria em poucos minutos.
Era a vez do caboclo falar. Com os olhos presos ao chão, numa voz mansa, ele disse: “Sonhei que via o senhor padre e o moço lá no céu, rodeados dos anjos e dos santos. E que eu tinha ficado aqui, sozinho e morto de fome. Então, subi no telhado e gritei com toda força pra vosmecês: ‘E o queijo?! Não vão comer o queijo pra mó da gente seguir viagem?!’. E vosmecês responderam, felizes da vida: ‘Pode comê o queijo, caboclo! É todo seu! Aqui no céu não precisamos de queijo!’. Fiquei tão feliz, e tudo pareceu tão de verdade, que levantei da rede e comi o queijo...”.

Padre brasileiro Roberto Landell de Moura...
Papagaio come e periquito leva a fama...Você sabia que foi um brasileiro que inventou o radio...

No dia 3 de junho de 1900, a avenida Paulista presenciou uma cena que deveria ter entrado para a história. Ali, um padre metido a cientista reuniu a imprensa, políticos e personalidades para demonstrar publicamente os experimentos que já realizava havia mais de seis anos. Utilizando um aparelho inventado por ele mesmo, o pároco enviou sinais telegráficos e transmitiu a voz humana a uma distância considerável (8 km), sem o auxílio de fios e irradiada por uma onda eletromagnética, pela primeira vez na história. Enquanto isso, o homem que ficaria conhecido como o inventor do rádio, o italiano Guglielmo Marconi, só operava com a transmissão e recepção de sinais telegráficos – em distâncias bem menores.
Na época, cientistas do mundo inteiro pesquisavam uma maneira de cruzar as três grandes descobertas relativas à comunicação a distância: o telégrafo elétrico (1837), o telefone com fio (1876) e a radiação eletromagnética (1888). O italiano Marconi ficaria com a fama – e o Nobel de Física – de ter realizado o feito. Mas o cruzamento de documentos e correspondência do período revela que, antes de Marconi, o padre gaúcho Roberto Landell de Moura (1861-1928) já tinha desenvolvido o telégrafo sem fio, o telefone sem fio e o transmissor de ondas “landellianas”, como defendem alguns (e não “hertzianas”).
Para tentar corrigir o que avaliam ser uma injustiça histórica e alçar o brasileiro ao rol dos grandes inventores, um grupo de pesquisadores e radioamadores fundou o Movimento Landell de Moura (MLM). No fim do ano passado, o matemático Luiz Netto, o jornalista Hamilton Almeida e os radioamadores Alda Niemeyer e Daniel Fiqueiredo colocaram no ar um site, angariando assinaturas para pedir ao governo brasileiro que reconheça oficialmente o padre como pioneiro das telecomunicações.
Assim como Santos Dumont é chamado de pai da aviação, o movimento defende que o gaúcho seja reconhecido como inventor do rádio. A campanha foi até 21 de janeiro de 2011, quando o padre completaria 150 anos. As descobertas do sacerdote-inventor foram divulgadas pelos principais jornais na época, mas ele não conseguiu nem patentear nem produzir comercialmente seus inventos no Brasil. Entre os aparelhos que desenvolveu ou projetou estão o “teletíton” (telégrafo sem fio), o “teleauxiofone” (telefonia com fio, microfone e alto-falante), o “transmissor de ondas”, o “edífono” (purificador de voz) e o “caleofone” (intercomunicador de voz).
Frustrado com a pouca receptividade de suas descobertas no Brasil, o padre partiu para os Estados Unidos, onde registrou, em 1904, as patentes de três de seus inventos: o transmissor de ondas, o telégrafo sem fio e o telefone sem fio. Para Luiz Netto, “Landell demonstrou, por meio de seu transmissor de ondas, que se podia transmitir a palavra humana articulada via ondas eletromagnéticas, enquanto Marconi se concentrava somente em transmissão dos símbolos alfanuméricos através da telegrafia”. O italiano, portanto, não se ocupou da transmissão da fala. “São inventos distintos. Por isso, quando se pergunta quem foi o inventor do rádio, é necessário que se faça outra pergunta: de qual rádio estamos falando?”
Na edição de 12 de outubro de 1902, o jornal americano The New York Herald dedicou uma reportagem ao padre-inventor. A matéria relatou suas experiências na telefonia sem fio, apresentada como uma novidade perseguida pelos cientistas em uma época em que a telefonia convencional (com fios) já estava dominada. Na entrevista ao jornalista americano, Landell de Moura declarou: “Eu gostaria de mostrar ao mundo que a Igreja Católica não é inimiga da ciência ou do progresso humano”. O clérigo também revelou que suas crenças o levaram a ser perseguido por seus pares. “No Brasil, um bando de supersticiosos, acreditando que eu tenho um pacto com o diabo, invadiu minha sala de estudos e destruiu todo meu aparato”, contou. “Eu sei como se sentiu Galileu Galilei.”


Uma tragedia no futebol...

Em 4 de maio de 1949, há algumas milhas de Turim, sob forte nevoeiro, aconteceu uma tragédia que marcaria para sempre a história do futebol italiano e mundial. O avião, um Fiat G212, que transportava a delegação do Torino de volta à Itália, após um amistoso contra o Benfica em Portugal, chocou-se contra uma das torres da basílica de Turim de Superga, a 600 metros de altura. Não houve sobreviventes. Pela Liga Italiana a rodada era a de número 34. O Torino liderava a competição com quatro pontos de vantagem sobre a Internazionale de Milão, faltando quatro jogos para o término do Campeonato. Como na época a vitória valia dois pontos, oito ainda estavam em jogo. No mesmo dia a Liga
Time do Torino que era tetracampeão consecutivo
do campeonato italiano e estava próximo
 do quinto titulo...
 declarou a equipe grená campeã nacional. Seria, então, o quinto Scudetto (título de campeão italiano) consecutivo do time. Considerado a melhor equipe da Europa durante uma década e a base da Azurra, os dirigentes não aceitaram tal proposta: queriam conquistar o título em campo, jogando. Para honrar os 18 jogadores mortos na tragédia, entre eles o ídolo Valentino Mazzola, o Torino disputou as quatro partidas restantes com a equipe juvenil. Em 15 de maio, a primeira, 4x0 em cima do Genova. Em 22 de maio, a segunda: 3x0 no Palermo. Em 29 de maio, a terceira, 3x2 contra a Sampdoria. Por fim, 12 de junho, 2x0 na Fiorentina. Os quatro rivais demonstrando profundo respeito, também escalaram suas equipes juvenis. Assim, o Torino atingira o seu principal objetivo e sagrou-se campeão dentro de campo. A equipe viria a ganhar um novo Scudetto apenas em 1976.

                                                      Our love dream - Terry Winter


                                                        Summer Holiday - Terry Winter


sábado, 4 de janeiro de 2014

Rapidinhas do sábado...

Confundir cidadania com profissão...


Envolvido em uma confusão com um desembargador neste domingo (29) em uma padaria de Natal, o empresário Alexandre Azevedo, de 44 anos, vai entrar com uma representação contra o magistrado no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A discussão, segundo Alexandre, foi iniciada depois que o desembargador Dilermando Motta destratou um garçom na padaria Mercatto, no bairro Lagoa Nova, na zona Sul da capital potiguar. Em nota, o magistrado negou que tenha desrespeitado o funcionário.
"Não sou herói, não quero ser herói. Apenas tomei uma atitude natural de um cidadão que se sentiu constrangido e indignado com a forma como ele tratou o garçom, humilhando um trabalhador", afirma o empresário, que aparece discutindo com o desembargador em vídeos publicados anonimamente por clientes nas redes sociais. No YouTube, um dos vídeos já tem mais de 60 mil acessos. Para Alexandre, houve abuso de autoridade por parte do magistrado.


O empresário conta que o garçom deixou um copo na mesa onde o desembargador estava acompanhado pela família e saiu para atender outro cliente. Dilermando Motta, ainda segundo Alexandre, reclamou aos gritos que não havia sido colocado gelo em seu copo. O magistrado teria levantado e puxado o funcionário pelo ombro, exigindo ser tratado como Excelência e ameaçando quebrar um copo na cabeça do garçom.
A versão é contestada por Dilermando Motta. "A verdade é que, um simples e moderado pedido de esclarecimentos de um cliente a um garçom, que já havia sido solucionado, gerou uma reação de um terceiro com ameaças, gritos e total desrespeito ao público presente. Não houve abuso de autoridade como o propagado, mas somente uma atitude de defesa pessoal e da família presente, inclusive uma filha menor de dois anos de idade", diz a nota do desembargador. O magistrado também informou que tomará medidas judiciais.
A padaria Mercatto também divulgou uma nota de esclarecimento. O estabelecimento lamentou o ocorrido e garantiu que está oferecendo "todo o suporte necessário ao funcionário envolvido no episódio e, caso haja necessidade, se coloca à disposição das autoridades para qualquer tipo de esclarecimento", informa.

Nota do empresário Alexandre Azevedo:

"A respeito do incidente na Padaria Mercatto, envolvendo o Des. Dilermano Mota, ocorrido no último domingo (29/12/2013), venho a público externar a minha versão, objetivando esclarecer os fatos.
Por volta das 10 hs, estávamos, eu e minha esposa, lanchando na Padaria quando presenciamos um senhor, que até então não sabia de quem se tratava, levantar-se bruscamente de sua mesa e ir de encontro ao garçom que acabara de servi-lo. Este senhor, aos gritos, no meio do salão, dizia ao garçom que este não o havia atendido direito, deixando de colocar gelo em seu copo, e gritava pelo gerente, exigindo que o punisse naquele momento, e ele queria presenciar. Não satisfeito com esse escândalo, este senhor puxou o garçom pelo ombro e exigiu que lhe olhasse nos olhos e o tratasse como Excelência, e disse que deveria “quebrar o copo em sua cara”. Tal fato foi testemunhado por dezenas de pessoas que ali se encontravam.
Presenciando aquela agressão injustificada, eu me levantei e intervi, dizendo ao senhor que ele não poderia fazer aquilo; não poderia humilhar alguém que estava ali para servir. Nesse momento, o senhor se voltou contra mim, chamando-me de “cabra safado”, “endiabrado”, “endemoniado”, que “merecia ser preso”, chegando, inclusive, a pegar uma cadeira e dizer que iria “quebrar minha cara”, tendo sido contido por várias pessoas. Eu repudiei a conduta deste senhor veementemente, perguntando quem ele pensava que era e se não tinha vergonha de ofender seus semelhantes daquela forma.
O Desembargador Dilermano Mota, identificando-se como tal, acionou a Polícia Militar, que deslocou imediatamente quatro viaturas para atender o chamado, tendo, o oficial que atendeu a ocorrência, depois de sondar as dezenas de pessoas que se aglomeravam no salão da Padaria, identificado a inexistência de qualquer crime cometido por mim. Em razão dos policiais não terem me prendido, o desembargador, aos gritos, adjetivou-os de “um bando de cagão”.
Devo deixar claro que não conhecia o Desembargador, tampouco o garçom. A minha atitude de revolta e indignação ao presenciar uma profunda injustiça foi a de um cidadão consciente, como todos devem ser. E teria a mesma reação, ainda que não se tratasse de um magistrado. Quem quer respeito, se dá o respeito. Finalizo citando Darcy Ribeiro quando dizia “só há duas opções nesta vida: se resignar ou se indignar. E eu não vou me resignar nunca".

Nota do desembargador Dilermando Motta:

"Em respeito à opinião pública, venho esclarecer o que de fato aconteceu nas dependências da padaria Mercatto, em data de ontem (29), que ocasionou uma série de comentários nas redes sociais, alguns desmedidos e distanciados da realidade.
A verdade é que, um simples e moderado pedido de esclarecimentos de um cliente a um garçom, que já havia sido solucionado, gerou uma reação de um terceiro com ameaças, gritos e total desrespeito ao público presente. Não houve abuso de autoridade como o propagado, mas somente uma atitude de defesa pessoal e da família presente, inclusive uma filha menor de dois anos de idade. Sem nenhum propósito revanchista, as medidas judiciais cabíveis serão adotadas".

Nota da padaria Mercatto:

“Construir uma marca é como cultivar um jardim. Um trabalho diário de dedicação e cuidado, tudo isso para conquistar quem estiver passando por perto.Tudo isso para atrair olhares, provocar emoções e sabores que despertam aquela vontade de ficar um pouquinho mais. Uma marca é feita pela suas pessoas, pelos seus profissionais, por uma equipe que zela pelo seu maior patrimônio, seus clientes. Com isso, a Padaria Mercatto só tem a lamentar o episódio que aconteceu nesse domingo nas suas instalações e que acabou ganhando ampla repercussão nas mídias sociais. A Mercatto está oferecendo todo o suporte necessário ao funcionário envolvido no episódio e, caso haja necessidade, se coloca à disposição das autoridades para qualquer tipo de esclarecimento. A Padaria Mercatto, que se caracteriza pela qualidade dos seus produtos e atendimento, esclarece ainda que adota sempre como princípio norteador na prestação de serviços a cordialidade no trato com todos os seus públicos, sejam eles clientes, empregados e fornecedores".

Obs do blog: Em minha opinião os dois erraram. O desembargador por querer usar das prerrogativas de desembargador em um momento que ele era cidadão e o cidadão por querer ser juiz. De qualquer forma nesse episódio quem perde mais é o desembargador que teve sua imagem pública arranhada e ficará com essa pecha em seu histórico, enquanto o empresário daqui a 01 ano ninguém mais se lembrará do nome dele. Se você é mal atendido em um local, basta pagar a conta e nunca mais pisar nesse ambiente. Para isso que existe a livre concorrência. Querer discutir com garçom é não saber usar da boa educação a que ele teve acesso em toda sua vida.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Rapidinhas da sexta...

Presente de grego para 2014...

O prefeito Isoares Martins, conforme esse blog previu em 23.12.2013 (vide postagem abaixo), exonerou todos os cargos comissionados, sem exceção,  em 31 de dezembro de 2013 através da portaria numero 248, datada do ultimo dia do ano.

....Sabendo que pode cair fora a qualquer momento no início de 2014, o prefeito já prepara a exoneração geral de todos os comissionados baraunenses pois "descobriu" alguns "traidores" que temendo perder a boquinha já começaram os contatos escondidos com a "mamãe" e os rumores é que vai colocar ainda mais gente de fora na prefeitura. Portanto, senhores babões de plantão, coloquem os babadores para lavar e enxaguar urgentemente, pois vão precisar deles para se manterem nos cargos por mais alguns dias, pelo menos por enquanto. (Barauna atual- 23.12.2013)

O vereador Maninho (PMDB) me informou que a comunicação oficial já chegou na câmara municipal de Baraúna. Muita gente pode dançar e não ser chamado, por isso o corre-corre e o beija mão começa a acontecer para tentar segurar a boquinha...

Segundo o vereador Maninho (contato telefônico), o secretario da educação Marcos Antônio (que também foi exonerado juntamento com todos os demais), assegurou verbalmente ao vereador que não voltará mais ao cargo, mesmo que seja chamado novamente e que sua decisão é em caráter irrevogável.... 

O vereador Maninho informa também que o aumento salarial dos professores esta sendo votado nesse momento pela câmara municipal de Baraúna, devendo ser aprovado um reajuste de 10% referente ao novo piso do magistério para todos os docentes baraunenses a partir de janeiro desse ano.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Rapidinhas da quarta...

     É melhor indignar-se do que resignar-se...só assim acontecem as mudanças...Darcy Ribeiro